A caixa fecha com imã. Isso parece detalhe pequeno até você ter um box que não fecha com imã e perceber que aquilo te incomoda toda vez que você passa pela prateleira.
A Panini acertou no básico: o Box Chainsaw Man Vol. 1–11 é um objeto que não envergonha. Papel off-white que combina com o traço sujo do Fujimoto (brancos demais deixariam as páginas parecerem lavadas demais, o off-white dá peso), impressão consistente, lombadas que alinham quando você coloca os onze volumes lado a lado. A caixa aguenta o peso sem deformar. Isso é mais do que se pode dizer de algumas coisas que custam mais.
A tradução e a história mais desnecessária do mangá brasileiro
Tem contexto necessário aqui, mas vou ser breve porque o assunto não merece mais do que isso.
Chainsaw Man chegou ao Brasil com uma tradução de fã que adulterou o conteúdo original com material homofóbico, racista e antissemita que não existe na obra do Fujimoto. Essa tradução circulou por anos. Quando a Panini lançou a edição oficial, parte da internet reclamou que a tradução "estava errada" — porque era diferente da versão adulterada que conheciam (a linha do Demônio do Futuro virou emblema disso: "O futuro é pica" na fan-trad, "O futuro é demais" na Panini, "O futuro é top" na legenda do anime, "O futuro é show de bola" na dublagem — e o Guilherme Briggs recebeu ameaças de morte por isso, o que é uma sentença que ainda não consigo escrever sem parar um segundo).
A tradução da Panini é competente. Mantém a informalidade do Denji sem forçar gíria que vai envelhecer mal (escolha conservadora, mas defensável). Captura o absurdo dos personagens secundários sem explicar as piadas. Não é a tradução mais ousada que essa obra poderia ter — mas é honesta com o original, que já é mais do que o suficiente dado o histórico.
Os onze volumes como objeto de releitura
Chainsaw Man Fase 1 tem começo, meio e fim. Isso é raro o suficiente para mencionar — encerramentos satisfatórios em mangá shonen são escassos. O arco da Pistola (volumes 5–8) é onde Fujimoto decide que você não vai estar bem, e cumpre essa promessa. O final do volume 11 fecha o ciclo de forma que você pode reler o primeiro capítulo imediatamente depois e ver coisas que não viu na primeira vez.
Para releitura, o box faz sentido. Para primeira leitura: o digital é mais barato e você vai querer descobrir se curte antes de gastar R$ 438,90. Para presente: a caixa imantada faz efeito, ninguém vai reclamar.
O que não faz sentido é comprar para ter na prateleira sem intenção de abrir. O traço do Fujimoto pede ser lido de perto (os detalhes nos fundos, as expressões que ele esconde em segundo plano). Box fechado com imã numa prateleira é desperdício de Fujimoto.
Compra. Abre. Lê de novo.