Ainda penso no passageiro aleatório que eu deixei entrar no meu carro em GTA V e que começou a cantar junto com o rádio. Isso foi em 2013. Isso diz algo sobre o jogo. Também diz algo sobre mim, mas isso não vem ao caso.
Grand Theft Auto VI lança em 19 de novembro de 2026 para PS5 e Xbox Series X|S. Eu não joguei. Ninguém jogou. O que existe são dois trailers, um documento de especificações confirmadas pela Rockstar, e treze anos de expectativa acumulada desde que GTA V saiu e não saiu mais da cultura pop.
Esta não é uma review. É uma análise do que foi prometido, do que a Rockstar tem histórico de entregar, e do que é razoável esperar de um jogo que custou, estima-se, mais de dois bilhões de dólares para fazer.
O que está confirmado
Leonida é o estado inteiro. Vice City existe dentro dele como metrópole central, mas o mapa inclui os Grassrivers (Everglades com jacarés confirmados em comportamento dinâmico), as Leonida Keys, Port Gellhorn, e pelo menos duas regiões que os trailers mostram sem nomear. É o maior mapa que a Rockstar já confirmou oficialmente — não por leak, por press release.
Lucia Caminos e Jason Duval são co-protagonistas com mecânicas distintas. Jason tem slow-motion direcionado para pontos fracos de inimigos. Lucia tem slow-motion de tiro único. A alternância é ao estilo GTA V — dois personagens, dois ângulos de uma mesma história. Que a Rockstar escolheu uma protagonista feminina como face principal do material de marketing não é acidente, e sim declaração.
Os NPCs aplicam protetor solar. Brigam. Dançam. Respondem ao ambiente. Isso aparece nos trailers como detalhe de fundo, não como feature central. Detalhes de fundo que chegam em trailer costumam ser o mínimo do que o jogo entrega. Sei que estou fazendo conta otimista. Faço assim mesmo.
Mais de 200 veículos com interiores interativos. Combate corpo a corpo remodelado. Stealth com rastejamento e zip ties. Sistema de procurado de seis estrelas (voltou após o GTA IV simplificar para cinco). Ray tracing confirmado. Cabelo por strand simulation — o tipo de detalhe que soa como marketing até você ver em movimento.
O que a Rockstar deve
GTA V foi lançado em 2013 com uma história single-player extraordinária e um modo online que a empresa passou onze anos vendendo como produto separado enquanto prometia DLC single-player que nunca veio.
Esse histórico importa. A Rockstar é um estúdio de execução impecável e de promessas seletivas. Red Dead Redemption 2 foi o jogo mais bonito e mais cuidadoso que eles já fizeram — e teve um epilogo que foi honesto com o que a história precisava ser. Existe capacidade narrativa real aqui.
Mas existe também o modelo GTA Online, que transformou GTA V num serviço e num argumento permanente de que single-player de mundo aberto não vende. GTA VI vai ser lançado com Online no mesmo disco. O que acontece com a história de Lucia e Jason depois que o modo online estiver funcionando é a questão que ninguém consegue responder agora.
O que eu realmente espero
Quero que Lucia seja escrita com o mesmo cuidado que Arthur Morgan foi escrito em RDR2. Não quero protagonista feminina como declaração — quero como personagem. Os trailers sugerem isso. Trailers são editados por pessoas cujo trabalho é fazer você acreditar.
Quero que o estado de Leonida seja habitado, não decorado. GTA V tinha Los Santos linda e vazia nos recantos. Se os Grassrivers têm fauna dinâmica mas não têm nada para fazer dentro deles além de atravessar, o tamanho do mapa vai parecer argumento de ficha técnica.
Quero terminar a história principal antes de o modo online me absorver para nunca mais.
19 de novembro. Já separei o dia.